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Monday, July 06, 2009

2. Oboé




mergulha na voluptuosidade
típica dos místicos, dos santos
voluptuosidade do espírito vidente
espiritualidade visionária
íntimo contorno do porvir

Instrumentos - 1. Trompa



um animal da floresta escura

cheio de saudade envenenado

arpão de caça enfeitiçado

metal num um coração abandonado

Wednesday, March 11, 2009

Jazz... afinal



Brad Mehldau Trio.

Sem mais, na noite, na dispersão, no calor das estrelas, no desvario... o gato dorme na janela, e sonhamos sob as folhas das trepadeiras. Dias mais claros, noites mais escuras.

Thursday, January 29, 2009

Love me like a river does



amor, quem te viu
andando nu pelas estradas?
quem conta este conto?
que pescador te viu em alto mar?

quem foi a criança
que tola, te viu na varanda
e gritou te denunciando à família
reunida na sala de estar
enquanto todos davam as costas?
-- ah, crianças de sete anos!

amor, quem escreveu teu nome
nas paredes dos templos
enquanto a fumaça das velas
infectava os bolsos e véus das gentes?

amor, quem te viu á beira-mar à noite curvo sobre as ondas?
quem te ouviu atrás do bosque com as loucas varridas?
que infeliz te flagrou no banho entre os peixes?
que sonhador esteve a crer na tua sombra por este mundo?

Tuesday, November 18, 2008

Quarteto para o Fim dos Tempos


"Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse", A. Dürer


Para o abismo deslizamos todos lentos.
Entre nós, um licor viscoso amargo
Ódio e esqueletos de devorados pássaros
O desprezo que nos arrasta muito largo.

Para o sepulcro a torrente leva todos,
as crianças mórbidas, os monstros podres vivos
de ignorância e as baratas que espreitam.
Os leões fogem empalidecidos.

Ah quanto se perde! Quantas horas
Quanto vazio entre sangue e espadas
Tanto desfazer, tanta água em torno
da barca sozinha entre harpias aladas.

Entre restos de carantonhas vazias no tempo
de desafeto e armaduras no longo desalento
Decompõe-se a lápis esgares e mãos partidas
enquanto nascem crianças tortas desvalidas.

Sunday, November 09, 2008

A Grande Música

"Melancholia", A. Dürer




canto a constância dos ciclones

não ouvir música traz a sobriedade


Aquele maldito russo com seu piano assombrado

de mares negros e árvores mortas

implanta em meus olhos a floresta ampla

que alastra os vales dos teus olhos


canto a constância dos ciclones

não ouvir música traz a serenidade


Alaga os quartos este trio elegíaco

onde habita um violino que já se dissolve

na persistência do desejo sobre a matéria


canto a constância dos ciclones

não ouvir música traz a saciedade


Uma doente travestida sob uma camisola antiga

espalha esgares descomedidos no corredor

buscando no som dos braços que rasgam o ar

um padrão que fixe em madeira e aço

todos os sorrisos, os movimentos, os ecos de tua presença


canto a constância dos ciclones

não ouvir música traz a senilidade


Agora me rendo à ferocidade da vontade

Agora me rendo ao perfume espectral de flores tirânicas

Entrego-me à doçura desesperada dos sentidos

Arderei na sagração do tanino de um beijo mantido

no tonel construído por um luthier envelhecido


canto a constância dos ciclones

não ouvir música é possuir a sanidade.

Monday, April 14, 2008

Exit Music - Brad Mehldau Trio



Poema para o Fim de Um Filme

No breu enquadrado dizem adeus
o amor, os cantos, os carros,
Passamos e adormeceremos.
Desperta estarei para ver todos
os que acenam do cais para mim
E eu lhes acenarei
Até que a morte nos separe.

Thursday, April 10, 2008

Sunday, February 10, 2008

Poema para Chet




Embala-me lindo cantor
Que já perdi-me no pôr-do-sol
Já danei-me na escuridão
Vamos nos perder mais
entre estrelas
onde acordarei talvez
no paraíso dos danados
onde os demônios
colhem lírios.