Isso lhe dói
ao olhar no espelho
a plena constatação
da idiotice de sair
da própria natureza
à caça de ilusão.
Seria ela tão plana?,
pergunta-se, e não sei
se a resposta existe
pois não é claro
que a pergunta esteja
bem formulada.
Os problemas em aberto
são com freqüência
apenas questões
propostas por crianças
matematicamente
mal alfabetizadas.
Se as roupas não fossem
o que outros débeis gostos houvessem decidido
sua natureza estaria satisfeita
com longos andrajos
de rainha destronada
pois parece-me que é isto
que sua natureza determina.
Daqui em diante não mais
andará à cata dos sorrisos
e aplausos da pobre e ignara multidão.
Antes ser rainha nua no deserto
tórridas areias neves febris
que ser objeto de elucubrações mal formuladas
e assunto mal compreendido mal comentado
mal amado malquisto, mas elogiado por autistas
retardadas vis desatentas mentes lentas
famintos, ou antes gulosos, corações
sensuais e temíveis mesmo nos profundos
corredores da Academia – prefira
a indiferença gigante da silenciosa montanha
dos claros e frios lagos, dos quentes vulcões
dos altos mares – deuses, deuses esbeltos
deuses fatais: tenham piedade de vossa humilde
devota, pássaro perdido na minúscula sala
na fumegante cozinha dos risonhos e anuviados.
Seus sapatos são de folhas
Seu vestido é de sonatas.
Tuesday, August 21, 2007
Love love love
choro inteira
sofro por toda a humanidade
transparente, um copo d'água
transbordo e na chuva ninguém vê
a transparência sufocada de amor
a película túrgida e límpida de dor
sofro sem esforço
gratuita e livremente
com a fronte coroada de estrelas tristonhas
como uma rainha derrotada
uma flor azul desabrocho no frio
oferecendo aos transeuntes
e ao vento minha florescência dolorida
meu desabrochar de lágrimas fáceis
como oferece ao mundo graciosamente
a roseira suas ainda macias pétalas moribundas
e a paineira no outono suas folhas ressequidas
ofereço a vocês todos
minha tristeza em taças
e minha paixão insólita
ofereço meu pranto
como uma espada
que o vencido
estende ao vencedor
leve menear de cabeça
e um sorriso de muitas eras
ofereço a todos
e adormeço possuída
amorosamente
por um desqualificado vinho.
sofro por toda a humanidade
transparente, um copo d'água
transbordo e na chuva ninguém vê
a transparência sufocada de amor
a película túrgida e límpida de dor
sofro sem esforço
gratuita e livremente
com a fronte coroada de estrelas tristonhas
como uma rainha derrotada
uma flor azul desabrocho no frio
oferecendo aos transeuntes
e ao vento minha florescência dolorida
meu desabrochar de lágrimas fáceis
como oferece ao mundo graciosamente
a roseira suas ainda macias pétalas moribundas
e a paineira no outono suas folhas ressequidas
ofereço a vocês todos
minha tristeza em taças
e minha paixão insólita
ofereço meu pranto
como uma espada
que o vencido
estende ao vencedor
leve menear de cabeça
e um sorriso de muitas eras
ofereço a todos
e adormeço possuída
amorosamente
por um desqualificado vinho.
Dança
só existe o amor
o amante já se desfez
só existe o caminhar
não o caminhante
só há o comer
e não o que come
só pode haver o movimento
mas não o rio em si
há apenas o cantar
não pode haver cantor
quando existe, somente a música
não o músico, atrás da luz
como o sol atrás de seu brilho
só existe a dança
não o dançarino
estes fatos
são evidentes
por si próprios
quem não pode ver?
só pode haver o amar
não existe alguém que ame
só pode har o estender-se
e não a mão que se entrega
só existe o correr
mas não pode existit um corredor
quem não vê estas coisas
ainda não entendeu
que só existem as ondas
o vento e o cair de chuvas
e movimento no mundo
não há aquilo que se move
por si mesmo
sou o beber essa taça
sou o sonhar com montanhas
sou o escrever e o chorar
sou o querer e o cantar
não há qualquer ator em cena
portanto ao descerem as cortinas
silêncio em meu funeral, saiam do teatro
graciosamente com a consciência
de nunca ninguém terem visto.
o amante já se desfez
só existe o caminhar
não o caminhante
só há o comer
e não o que come
só pode haver o movimento
mas não o rio em si
há apenas o cantar
não pode haver cantor
quando existe, somente a música
não o músico, atrás da luz
como o sol atrás de seu brilho
só existe a dança
não o dançarino
estes fatos
são evidentes
por si próprios
quem não pode ver?
só pode haver o amar
não existe alguém que ame
só pode har o estender-se
e não a mão que se entrega
só existe o correr
mas não pode existit um corredor
quem não vê estas coisas
ainda não entendeu
que só existem as ondas
o vento e o cair de chuvas
e movimento no mundo
não há aquilo que se move
por si mesmo
sou o beber essa taça
sou o sonhar com montanhas
sou o escrever e o chorar
sou o querer e o cantar
não há qualquer ator em cena
portanto ao descerem as cortinas
silêncio em meu funeral, saiam do teatro
graciosamente com a consciência
de nunca ninguém terem visto.
Tuesday, August 07, 2007
July
See the cold and loveless
that blackbird
on the very edge
of the highest branch
early in the winter
morning light?
Feel the cold, frozen skin
sweet handkerchief
on a fiery broken heart
beneath the cold
moonlit satin water
down the frozen lake
terrifying monsters
gladly swim awake
Hear the cold and high
the loveless wind
unmercifully blows the stones
off the wall of the hills
far in the lonely field
hidden in a dark green
valley of oaks and vineyards
there the blackbird
no singing, and the wind is blown
Notice the cold cold and fiery arms
cold eyes of crying hard
far music from cold mermaids
cold sea, bright morning light
like a blade cuts the long day.
that blackbird
on the very edge
of the highest branch
early in the winter
morning light?
Feel the cold, frozen skin
sweet handkerchief
on a fiery broken heart
beneath the cold
moonlit satin water
down the frozen lake
terrifying monsters
gladly swim awake
Hear the cold and high
the loveless wind
unmercifully blows the stones
off the wall of the hills
far in the lonely field
hidden in a dark green
valley of oaks and vineyards
there the blackbird
no singing, and the wind is blown
Notice the cold cold and fiery arms
cold eyes of crying hard
far music from cold mermaids
cold sea, bright morning light
like a blade cuts the long day.
Kaos poem - for scientists
Kaos
Wir werden wissen. – David Hilbert
See? This foggy mess
dances around my neck
all the sounds from the wood
driving me mad
all these green and silver lights
silently making me blind
as a scientist
I'm supposed to keep track
of the monsters, humanize the ghosts
civilize into ideas
the wildest scents, the scary mermaid chants
into a theory, on the score
there is no survival
in the middle of hysterical flowers
among the colorful birds
in the smoke of herbal cigarettes
the freedom of wine and night
in the deep madness of love
It is a choice given
by terrible but compassionate gods
living above the misty eternity:
being eternal with the oceans
or calm peasants plowing
taming the lions, but not attached
to these small understandings.
Gracefully writing in the sand
but surrendering our books
to the white foam of waves.
Singing,
but playing as dolphins.
Princes in the monstrous
kingdom of blue.
Wir werden wissen. – David Hilbert
See? This foggy mess
dances around my neck
all the sounds from the wood
driving me mad
all these green and silver lights
silently making me blind
as a scientist
I'm supposed to keep track
of the monsters, humanize the ghosts
civilize into ideas
the wildest scents, the scary mermaid chants
into a theory, on the score
there is no survival
in the middle of hysterical flowers
among the colorful birds
in the smoke of herbal cigarettes
the freedom of wine and night
in the deep madness of love
It is a choice given
by terrible but compassionate gods
living above the misty eternity:
being eternal with the oceans
or calm peasants plowing
taming the lions, but not attached
to these small understandings.
Gracefully writing in the sand
but surrendering our books
to the white foam of waves.
Singing,
but playing as dolphins.
Princes in the monstrous
kingdom of blue.
Wednesday, April 04, 2007
Bilhete Para o Lado de Lá
Não te desvia
nem para ver flores
não vira tua cabeça
para ouvir a música
que alicia as crianças
Bebe teu café
enche tua garrafa
e calça teus sapatos
lá fora só há noite
e o dia é longo
Não sorri aos palhaços
nem senta nas trilhas
não desvia teus olhos
para ver como falam
os outros homens.
Lá fora tudo é breu
na rua o dia é longo
a turba se agita
e os ventos transitam.
nem para ver flores
não vira tua cabeça
para ouvir a música
que alicia as crianças
Bebe teu café
enche tua garrafa
e calça teus sapatos
lá fora só há noite
e o dia é longo
Não sorri aos palhaços
nem senta nas trilhas
não desvia teus olhos
para ver como falam
os outros homens.
Lá fora tudo é breu
na rua o dia é longo
a turba se agita
e os ventos transitam.
Pai Nosso em Álgebra Associativa
Pai Nosso que, estando em todo lugar, em particular está no Céu: santificado seja, para todo k que pertence a N, Vosso k-ésimo nome. Seja feita Vossa n-ésima vontade para n em N, na Terra e analogamente no Céu. Considerai Di o conjunto dos dias terrenos da vida de um indivíduo fixo i, P o conjunto dos pães, que a função Φ: P→ Di seja sobrejetiva. Como fingimos perdoar a quem nos tenha ofendido qtp, perdoai isomorficamente nossas ofensas no lugar daqueles a quem ofendemos. Não nos deixeis cair em tentação e se M é a classe de equivalência dos males, seja que o conjunto Eid dos eventos em um dia d de um indivíduo i e M tenham interseção 0, já que ambos são anéis. De fato se m e n estão em M, m+n é a ocorrência de ambos os males em paralelo num mesmo disco de raio r,onde r é o fator de percepção da passagem do tempo, que é dependente de i. O produto é definido como a ocorrência em série destes males. É um exercício mostrar a comutatividade da soma e a asociatividade do produto. O elemento simétrico é um bem, pois é fácil ver que o conjunto dos bens está contido em M. Ver no Journal of Lollipops and Karamels num artigo em colaboração com X, vol y, pp k-t, que o elemento neutro de M pode ser identificado com o elemento neutro de Eid. Qed. Amén.
Indução
Indução ao Álcool
Para n0, vale o vinho.
Estamos feitos – redemoinho.
Tome k < n copos
teor crescente de álcool arisco
cerveja, aguardente e pisco.
Bebe mais uma taça de whisky ou licor
pêssego, laranja num copo de dor
Derrama nos k copos esse pronto horror
Pela hipótese de indução já és bêbado
Assim na n-ésima dose idólatra
prova-te alcoólatra.
Para n0, vale o vinho.
Estamos feitos – redemoinho.
Tome k < n copos
teor crescente de álcool arisco
cerveja, aguardente e pisco.
Bebe mais uma taça de whisky ou licor
pêssego, laranja num copo de dor
Derrama nos k copos esse pronto horror
Pela hipótese de indução já és bêbado
Assim na n-ésima dose idólatra
prova-te alcoólatra.
Friday, March 30, 2007
tempo & tempo
É o tempo da vinha
É o tempo do silêncio
Guardem seus tesouros
e adormeçam nos braços
de seus amores.
É o tempo de estender a vela.
Trombetas de anjos impiedosos
ouço nas montanhas.
É o tempo das caças,
a hibernação finda.
É o tempo do verão
e dos barcos da Rainha.
É o tempo da vinha.
É o tempo do silêncio
Guardem seus tesouros
e adormeçam nos braços
de seus amores.
É o tempo de estender a vela.
Trombetas de anjos impiedosos
ouço nas montanhas.
É o tempo das caças,
a hibernação finda.
É o tempo do verão
e dos barcos da Rainha.
É o tempo da vinha.
Saturday, March 10, 2007
Cosme Velho, poema de chegada
Cosme Velho
Hoje amplo vento
Ontem um tormento.
Pão e leite que adormecem
quentes à nossa mesa.
No céu estrelas giram lentas
- e loucas, nadam em escuro.
Hoje, a selvagem calma.
Hoje, guargem seus tesouros
- pois o mundo é maligno.
Guardem seus tesouros
- há neblina e intriga.
Na rua, a divindade caminha.
No ar, pisa o pé bailarino
Na água, flutua o embrião
da ingenuidade e da solidão.
Guardem seus tesouros
e não se envergonhem de sua nudez
- pois eles se esconderam
e o anjo lhes apontou a saída do Éden
- nus e tristes.
Guardem seus tesouros
O anjo vingador está embaixo
na orla dos homens maus.
Não temam seus amores
Abençoados serão os puros
Eleitos serão os intolerantes.
- Guardem-se sob o céu negro
e estrelas entoarão seus mantras.
Sorvam apenas a última essência
o mais fino tanino
e adormeçam num silêncio
de altar e orem
em sonhos de gardênias nuas.
Wednesday, January 31, 2007
Os Elementos
1. Terra
mergulha o corpo
nos gomos da água
que, maduras, as flores
cantarão seus hinos agridoces.
2. Fogo
voam nos céus de janeiro
os pássaros da revolução
A cada manhã, um destino
A cada noite, uma canção
3. Água
estamos soltos no meio do Nada
e em caixas de chuva, giramos lentos.
Entretanto, os peixes no claro oceano
são as folhas soltas do pensamento.
4. Ar
os espíritos estão à volta
orações ouvidas no nevoeiro
Nada muda neste universo inteiro
pois bebo café no fresco janeiro.
mergulha o corpo
nos gomos da água
que, maduras, as flores
cantarão seus hinos agridoces.
2. Fogo
voam nos céus de janeiro
os pássaros da revolução
A cada manhã, um destino
A cada noite, uma canção
3. Água
estamos soltos no meio do Nada
e em caixas de chuva, giramos lentos.
Entretanto, os peixes no claro oceano
são as folhas soltas do pensamento.
4. Ar
os espíritos estão à volta
orações ouvidas no nevoeiro
Nada muda neste universo inteiro
pois bebo café no fresco janeiro.
Wednesday, January 03, 2007
Ipanema
Afinal, sou uma feiticeira
que produz poções fatais.
Mas duendes e flores brancas
que já não passam de espuma.
Tua presença nas folhas
de alegre deus no vento
não era mais do que
minha própria divindade
espraiada no mundo.
Eu mesma era quem dançava
nas gotas frescas de chuva.
Espuma, luz de crepúsculo,
cascas de nozes e taças vazias.
Pobre musa, que envelhece
e vira bruma...
Agora de teu corpo
quero apenas os de outros,
e outros frutos,
e sementes roxas
de romãs tensas de água.
Quero as tardes alheias.
Sou o perigo do Deus criador.
Sou Brahma que explode cogumelos
tingidos no meio do vale
e Shiva que pisa no vinho mortal.
Sou a dança destruidora.
Musa, te deixo na estrada.
Encontrarás quem te ame
os pés inchados e o ventre infame.
Só amo os belos.
Só amo os imortais.
Musa, da onda da minha paixão
és agora inerte e fria espuma.
que produz poções fatais.
Mas duendes e flores brancas
que já não passam de espuma.
Tua presença nas folhas
de alegre deus no vento
não era mais do que
minha própria divindade
espraiada no mundo.
Eu mesma era quem dançava
nas gotas frescas de chuva.
Espuma, luz de crepúsculo,
cascas de nozes e taças vazias.
Pobre musa, que envelhece
e vira bruma...
Agora de teu corpo
quero apenas os de outros,
e outros frutos,
e sementes roxas
de romãs tensas de água.
Quero as tardes alheias.
Sou o perigo do Deus criador.
Sou Brahma que explode cogumelos
tingidos no meio do vale
e Shiva que pisa no vinho mortal.
Sou a dança destruidora.
Musa, te deixo na estrada.
Encontrarás quem te ame
os pés inchados e o ventre infame.
Só amo os belos.
Só amo os imortais.
Musa, da onda da minha paixão
és agora inerte e fria espuma.
Os Cem Dias
Após cem dias
vejo a luz
O círculo antártico
morre em anagramas
de gelo maligno.
Após cem dias
o cárcere se afasta
Cem dias passei inerte
no escuro solene
em agonia ardente
Cem dias revolvi
a grama seca
as cascas de nozes, vazias
Cem dias suguei
o leite triste e dúbio
das esferas desérticas.
Cem dias procurando
pelo caixeiro-viajante
e suas caixas de amoras
e uvas vermelhas.
Cem dias de uivos
Cem dias de brancura.
Após a longa expiação
surge a estrela
alta na manhã dourada.
Surge a primeira
razão alta na madrugada.
Após cem dias
estou livre
e eis o mar.
vejo a luz
O círculo antártico
morre em anagramas
de gelo maligno.
Após cem dias
o cárcere se afasta
Cem dias passei inerte
no escuro solene
em agonia ardente
Cem dias revolvi
a grama seca
as cascas de nozes, vazias
Cem dias suguei
o leite triste e dúbio
das esferas desérticas.
Cem dias procurando
pelo caixeiro-viajante
e suas caixas de amoras
e uvas vermelhas.
Cem dias de uivos
Cem dias de brancura.
Após a longa expiação
surge a estrela
alta na manhã dourada.
Surge a primeira
razão alta na madrugada.
Após cem dias
estou livre
e eis o mar.
Wednesday, December 13, 2006
Desiderata
Desiderata
Go placidly amid the noise and haste,
and remember what peace there may be in silence.
As far as possible without surrender
be on good terms with all persons.
Speak your truth quietly and clearly;
and listen to others,
even the dull and the ignorant;
they too have their story.
Avoid loud and aggressive persons,
they are vexations to the spirit.
If you compare yourself with others,
you may become vain and bitter;
for always there will be greater and lesser persons than yourself.
Enjoy your achievements as well as your plans.
Keep interested in your own career, however humble;
it is a real possession in the changing fortunes of time.
Exercise caution in your business affairs;
for the world is full of trickery.
But let this not blind you to what virtue there is;
many persons strive for high ideals;
and everywhere life is full of heroism.
Be yourself.
Especially, do not feign affection.
Neither be cynical about love;
for in the face of all aridity and disenchantment
it is as perennial as the grass.
Take kindly the counsel of the years,
gracefully surrendering the things of youth.
Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune.
But do not distress yourself with dark imaginings.
Many fears are born of fatigue and loneliness.
Beyond a wholesome discipline,
be gentle with yourself.
You are a child of the universe,
no less than the trees and the stars;
you have a right to be here.
And whether or not it is clear to you,
no doubt the universe is unfolding as it should.
Therefore be at peace with God,
whatever you conceive Him to be,
and whatever your labors and aspirations,
in the noisy confusion of life keep peace with your soul.
With all its sham, drudgery, and broken dreams,
it is still a beautiful world.
Be cheerful.
Strive to be happy.
Max Ehrmann, Desiderata, Copyright 1952
Go placidly amid the noise and haste,
and remember what peace there may be in silence.
As far as possible without surrender
be on good terms with all persons.
Speak your truth quietly and clearly;
and listen to others,
even the dull and the ignorant;
they too have their story.
Avoid loud and aggressive persons,
they are vexations to the spirit.
If you compare yourself with others,
you may become vain and bitter;
for always there will be greater and lesser persons than yourself.
Enjoy your achievements as well as your plans.
Keep interested in your own career, however humble;
it is a real possession in the changing fortunes of time.
Exercise caution in your business affairs;
for the world is full of trickery.
But let this not blind you to what virtue there is;
many persons strive for high ideals;
and everywhere life is full of heroism.
Be yourself.
Especially, do not feign affection.
Neither be cynical about love;
for in the face of all aridity and disenchantment
it is as perennial as the grass.
Take kindly the counsel of the years,
gracefully surrendering the things of youth.
Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune.
But do not distress yourself with dark imaginings.
Many fears are born of fatigue and loneliness.
Beyond a wholesome discipline,
be gentle with yourself.
You are a child of the universe,
no less than the trees and the stars;
you have a right to be here.
And whether or not it is clear to you,
no doubt the universe is unfolding as it should.
Therefore be at peace with God,
whatever you conceive Him to be,
and whatever your labors and aspirations,
in the noisy confusion of life keep peace with your soul.
With all its sham, drudgery, and broken dreams,
it is still a beautiful world.
Be cheerful.
Strive to be happy.
Max Ehrmann, Desiderata, Copyright 1952
Wednesday, October 11, 2006
Diabólica
Diabólica
Para FP
O demônio desenha
Sonhos de pássaros azuis.
Por que prendes meu canto
Com fitas brancas, e minhas
mãos não alcançam a lâmina?
O demônio canta em português.
Gaivotas sanguinárias
Abrem meu corpo
E de dentro, mas
Elas não fogem.
Por que sorris e sonhas
Com olhos de flores,
Devorador de rins?
O diabo sopra nos ouvidos perfurados
Dos amantes que definham.
Para FP
O demônio desenha
Sonhos de pássaros azuis.
Por que prendes meu canto
Com fitas brancas, e minhas
mãos não alcançam a lâmina?
O demônio canta em português.
Gaivotas sanguinárias
Abrem meu corpo
E de dentro, mas
Elas não fogem.
Por que sorris e sonhas
Com olhos de flores,
Devorador de rins?
O diabo sopra nos ouvidos perfurados
Dos amantes que definham.
Monday, September 11, 2006
Os piratas voltaram
Dêem adeus às suas garrafas de rum!
Os piratas de Armarandra
Decapitaram mais um político
Os piratas com uns vorazes pardais
Violaram o ventre inchado
De mais um legislador.
As nuvens escurecidas
Dançam frias
Amargas homilias
De corpos no mar.
Os piratas mutilaram
Mais um senhor jurista
Os piratas apunhalaram
Os eunucos do senador.
Vejam os tigres que reaparecem
Entre as castanheiras,
E as amapolas florescem negras.
Os piratas decapitaram
Mais um candidato a vereador
E devoraram
Os últimos damascos.
Os piratas de Armarandra
Decapitaram mais um político
Os piratas com uns vorazes pardais
Violaram o ventre inchado
De mais um legislador.
As nuvens escurecidas
Dançam frias
Amargas homilias
De corpos no mar.
Os piratas mutilaram
Mais um senhor jurista
Os piratas apunhalaram
Os eunucos do senador.
Vejam os tigres que reaparecem
Entre as castanheiras,
E as amapolas florescem negras.
Os piratas decapitaram
Mais um candidato a vereador
E devoraram
Os últimos damascos.
Monday, August 28, 2006
Gustav Mahler, Sinfonia no. 8
Sábado assisti à Sinfonia, chamada "dos Mil", na Praia de Copacabana. Já era fã de Mahler, mas a experiência que tive foi mística. Abaixo está um pouco do texto, que aliás é em Latim. Por favor, quem sabe Latim, me diga alguma coisa! Só vi a tradução da apresentação, o hino é lindo. A descrição que o próprio Mahler oferece é exata. Parece que aquilo foi escrito exatamente pra ser executado sob as estrelas, ao lado do mar.
Gustav Mahler - Symphony No.8 "Symphony of a Thousand"
I have just finished my Eighth! It is the greatest thing I have as yet done ... Imagine that the whole universe begins to sound in tone. The result is not merely human voices singing, but a vision of planets and suns coursing about.
Mahler on his "Symphony of a Thousand" in a letter to conductor Willem Mengelberg
Key: E-flat Major
I
Hymnus: Veni, creator spiritus
Text
Veni, creator spiritus,
Mentes tuorum visita;
Imple superna gratia,
Quae tu creasti pectora.
Qui Paraclitus diceris,
Donum Dei altissimi,
Fons vivus, ignis, caritas,
Et spiritalis unctio.
Infirma nostri corporis
Virtute firmans perpeti;
Accende lumen sensibus,
Infunde amorem cordibus.
Hostem repellas longius,
Pacemque dones protinus;
Ductore sic te praevio
Vitemus omne pessimum.
Tu septiformis munere,
Dexterae paternae digitus.
Per te sciamus da Patrem,
Noscamus (atque) Filium,
(Te utriusque) spiritum
Credamus omni tempore.
Da gaudiorum praemia,
Da gratiarum munera;
Dissolve litis vincula,
Adstringe pacis foedera.
Gloria Patri Domino,
Deo sit gloria et Filio
Natoque, qui a mortuis
Surrexit, ac Paraclito
In saeculorum saecula.
Mahler did not use the text in parenthesis.
Gustav Mahler - Symphony No.8 "Symphony of a Thousand"
I have just finished my Eighth! It is the greatest thing I have as yet done ... Imagine that the whole universe begins to sound in tone. The result is not merely human voices singing, but a vision of planets and suns coursing about.
Mahler on his "Symphony of a Thousand" in a letter to conductor Willem Mengelberg
Key: E-flat Major
I
Hymnus: Veni, creator spiritus
Text
Veni, creator spiritus,
Mentes tuorum visita;
Imple superna gratia,
Quae tu creasti pectora.
Qui Paraclitus diceris,
Donum Dei altissimi,
Fons vivus, ignis, caritas,
Et spiritalis unctio.
Infirma nostri corporis
Virtute firmans perpeti;
Accende lumen sensibus,
Infunde amorem cordibus.
Hostem repellas longius,
Pacemque dones protinus;
Ductore sic te praevio
Vitemus omne pessimum.
Tu septiformis munere,
Dexterae paternae digitus.
Per te sciamus da Patrem,
Noscamus (atque) Filium,
(Te utriusque) spiritum
Credamus omni tempore.
Da gaudiorum praemia,
Da gratiarum munera;
Dissolve litis vincula,
Adstringe pacis foedera.
Gloria Patri Domino,
Deo sit gloria et Filio
Natoque, qui a mortuis
Surrexit, ac Paraclito
In saeculorum saecula.
Mahler did not use the text in parenthesis.
Monday, August 07, 2006
Despedida
Deixo-te, mas na alma
Há rios que transbordam.
Despeço-me gentilmente
Servil e respeitosa.
Silencio diante das câmaras
Delicadamente iluminadas.
Deixo-te sem revoltas
Sem paganismos e grandes ares
Sem rancores de prisioneiros.
Deixo-te sem rumores
E tranco a porta ao sair.
A mesa, sem migalhas,
Repousa na penumbra
Da tarde de um inverno puro.
Queria ter te deixado
Um largo patrimônio
Ou uma obra da qual
Tivesses algum proveito.
Não sendo isto possível, calo-me
no campesinato satisfeito
de minha livre indigência.
Deixo-te coroas de louro
Desbotadas pela falta de uso.
Deixo-te cânticos meio escritos
E taças de licor pela metade.
Deixo-te nenhures,
À porta, à estrada.
Há rios que transbordam.
Despeço-me gentilmente
Servil e respeitosa.
Silencio diante das câmaras
Delicadamente iluminadas.
Deixo-te sem revoltas
Sem paganismos e grandes ares
Sem rancores de prisioneiros.
Deixo-te sem rumores
E tranco a porta ao sair.
A mesa, sem migalhas,
Repousa na penumbra
Da tarde de um inverno puro.
Queria ter te deixado
Um largo patrimônio
Ou uma obra da qual
Tivesses algum proveito.
Não sendo isto possível, calo-me
no campesinato satisfeito
de minha livre indigência.
Deixo-te coroas de louro
Desbotadas pela falta de uso.
Deixo-te cânticos meio escritos
E taças de licor pela metade.
Deixo-te nenhures,
À porta, à estrada.
Monday, July 17, 2006
Poema de Emily Dickinson
I'm nobody! Who are you?
Are you nobody, too?
Then there's a pair of us — don't tell!
They'd banish us, you know.
How dreary to be somebody!
How public, like a frog
To tell your name the livelong day
To an admiring bog!
Are you nobody, too?
Then there's a pair of us — don't tell!
They'd banish us, you know.
How dreary to be somebody!
How public, like a frog
To tell your name the livelong day
To an admiring bog!
Saturday, July 15, 2006
O primeiro poema que me fez chorar...em português
Romance sonâmbulo
Federico Garcia Lorca
(A Gloria Giner e a
Fernando de los Rios)
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sob a lua gitana,
as coisas estão mirando-a
e ela não pode mirá-las.
Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de escarcha
nascem com o peixe de sombra
que rasga o caminho da alva.
A figueira raspa o vento
a lixá-lo com as ramas,
e o monte, gato selvagem,
eriça as piteiras ásperas.
Mas quem virá? E por onde?...
Ela fica na varanda,
verde carne, tranças verdes,
ela sonha na água amarga.
— Compadre, dou meu cavalo
em troca de sua casa,
o arreio por seu espelho,
a faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando
desde as passagens de Cabra.
— Se pudesse, meu mocinho,
esse negócio eu fechava.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Compadre, quero morrer
com decência, em minha cama.
De ferro, se for possível,
e com lençóis de cambraia.
Não vês que enorme ferida
vai de meu peito à garganta?
— Trezentas rosas morenas
traz tua camisa branca.
Ressuma teu sangue e cheira
em redor de tua faixa.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Que eu possa subir ao menos
até às altas varandas.
Que eu possa subir! que o possa
até às verdes varandas.
As balaustradas da lua
por onde retumba a água.
Já sobem os dois compadres
até às altas varandas.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremiam pelos telhados
pequenos faróis de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.
Verde que te quero verde,
verde vento, verdes ramas.
Os dois compadres subiram.
O vasto vento deixava
na boca um gosto esquisito
de menta, fel e alfavaca.
— Que é dela, compadre, dize-me
que é de tua filha amarga?
— Quantas vezes te esperou!
Quantas vezes te esperara,
rosto fresco, negras tranças,
aqui na verde varanda!
Sobre a face da cisterna
balançava-se a gitana.
Verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Ponta gelada de lua
sustenta-a por cima da água.
A noite se fez tão íntima
como uma pequena praça.
Lá fora, à porta, golpeando,
guardas-civis na cachaça.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar.
E o cavalo na montanha
Federico Garcia Lorca
(A Gloria Giner e a
Fernando de los Rios)
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sob a lua gitana,
as coisas estão mirando-a
e ela não pode mirá-las.
Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de escarcha
nascem com o peixe de sombra
que rasga o caminho da alva.
A figueira raspa o vento
a lixá-lo com as ramas,
e o monte, gato selvagem,
eriça as piteiras ásperas.
Mas quem virá? E por onde?...
Ela fica na varanda,
verde carne, tranças verdes,
ela sonha na água amarga.
— Compadre, dou meu cavalo
em troca de sua casa,
o arreio por seu espelho,
a faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando
desde as passagens de Cabra.
— Se pudesse, meu mocinho,
esse negócio eu fechava.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Compadre, quero morrer
com decência, em minha cama.
De ferro, se for possível,
e com lençóis de cambraia.
Não vês que enorme ferida
vai de meu peito à garganta?
— Trezentas rosas morenas
traz tua camisa branca.
Ressuma teu sangue e cheira
em redor de tua faixa.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Que eu possa subir ao menos
até às altas varandas.
Que eu possa subir! que o possa
até às verdes varandas.
As balaustradas da lua
por onde retumba a água.
Já sobem os dois compadres
até às altas varandas.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremiam pelos telhados
pequenos faróis de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.
Verde que te quero verde,
verde vento, verdes ramas.
Os dois compadres subiram.
O vasto vento deixava
na boca um gosto esquisito
de menta, fel e alfavaca.
— Que é dela, compadre, dize-me
que é de tua filha amarga?
— Quantas vezes te esperou!
Quantas vezes te esperara,
rosto fresco, negras tranças,
aqui na verde varanda!
Sobre a face da cisterna
balançava-se a gitana.
Verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Ponta gelada de lua
sustenta-a por cima da água.
A noite se fez tão íntima
como uma pequena praça.
Lá fora, à porta, golpeando,
guardas-civis na cachaça.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar.
E o cavalo na montanha
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